É preciso ter em mente que as pessoas são movidas por seus próprios interesses circunstanciais. Se elas procuram por alguém e se recorrem a alguém, ainda que para celebrá-la, aquilo se dá exclusivamente porque isso lhes parece interessante de algum modo.
Não é pela pessoa buscada em si mesma que as pessoas se interessam. Nunca é.
Mas isso não faz das pessoas egoístas incuráveis, como pode parecer. Todos agimos assim naturalmente, sem cálculos a princípio. Trata-se portanto de atitude comum e normal, algo esperado e previsível. Não se trata, também, das famosas “segundas intenções”, outra coisa. O caso é que ninguém abre seu peito a outrem se não esperar algum benefício por isso; benefício talvez indireto e subjetivo, mas benefício assim mesmo.
Todos gostamos de pessoas especiais porque almejamos ser também especiais. É um mimetismo: encostamos na douradura dos ídolos porque queremos um pouco daquele brilho por nós percebido. Queremos estar “perto do ouro” porque queremos valer mais, também. Por estar perto do bem, algum bem haveremos de ter.
Por outro lado, há o falso desdém, que é o efeito contrário da busca indiretamente interessada. Mas este é assunto para outra hora.
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